Cognitivo, social e emocional
Os primeiros anos de vida são fundamentais para o desenvolvimento da criança, pois é neste período que a criança constrói os seus alicerces, ou seja a base sobre a qual é construída as aprendizagens adquiridas. As experiências vividas nos primeiros anos de vida têm um impacto decisivo na estrutura do cérebro, moldando as suas futuras habilidades e capacidades. É essencial proporcionar condições favoráveis às crianças, de forma a promover um desenvolvimento integral nos diferentes níveis: cognitivo, social e emocional (Neves, 2021).
O desenvolvimento cognitivo refere-se ao processo evolutivo da capacidade de pensar, compreender e conhecer.
A distinção entre realidade e fantasia e a capacidade de raciocínio abstrato são conquistas importantes, pois à medida que se dá a maturação cognitiva, a criança muda a forma como vê o mundo e os outros.
Piaget traçou quatro fases de desenvolvimento cognitivo:
- sensório motor (até aos 2 anos, baseia-se na exploração sensorial do mundo);
- pré-operacional (dos 2 aos 6/7 anos, guiado por egocentrismo e animismo);
- operacional concreto (dos 7 aos 12/13 anos, guiado pelo princípio da conservação);
- operacional formal (dos 12/13 até aos 18 anos, guiado pelo raciocínio abstrato).
É fundamental destacar que não existem padrões rígidos de desenvolvimento cognitivo. As crianças não são aprendizes passivos (Antunes, 2024).
A cognição e a emoção influenciam-se mutuamente. A emoção e a cognição caminham na mesma via, por vezes como forças sinérgicas*, outras vezes, opositoras (Antunes, 2024).
O desenvolvimento emocional refere-se à autorregulação e à constituição da subjetividade, bem como ao reconhecimento do "eu" em relação aos outros e ao mundo que o rodeia.
De acordo com Winnicott (1982), citado por Hosokawa e Wiezzel (2013), é fulcral para o desenvolvimento emocional da criança que os cuidadores demonstrem total disponibilidade lúdica para com seus filhos, pois ao dinamizarem atividades entre pais e filhos constituem e aperfeiçoam os laços entre ambos. O tempo que os pais dedicam aos seus filhos é imprescindível para um desenvolvimento saudável dos mesmos, visto que a relação afetiva é a base para que, futuramente, eles possam se tornar adultos emocionalmente maturos.
O crescimento emocional e a aquisição de aptidões sociais são avaliados pela observação da interação da criança com outras, no dia-a-dia. Quando a criança começa a falar, a compreensão do seu estado emocional torna-se mais precisa. Também acontece com a inteligência emocional, esta pode ser delineada mais precisamente com ferramentas especializadas (Graber, 2023).
Desde a infância, as experiências emocionais moldam a nossa personalidade, influenciando os nossos relacionamentos. O desenvolvimento emocional envolve a aquisição de habilidades que permitem que a criança consiga reconhecer as suas emoções, compreender as emoções dos outros, dando resposta a essas emoções de maneira apropriada.
O desenvolvimento emocional não ocorre de forma isolada, este é influenciado por um conjunto de fatores, tais como: o ambiente familiar, as experiências sociais e a cultura. As crianças que crescem em ambientes onde as suas emoções são reconhecidas e validadas tendem a desenvolver uma maior inteligência emocional. Em contrapartida, as crianças que crescem em ambientes onde as emoções são reprimidas, pode consequentemente levar a dificuldades na regulação emocional e na formação de relacionamentos saudáveis. Portanto, é essencial que os cuidadores e educadores promovam um ambiente que seja propício a que as crianças sejam incentivadas a exprimir e comunicar de forma livre os seus sentimentos.
No conjunto das emoções e da socialização, é possível identificar três subdomínios: (i) a competência social; (ii) a competência emocional; (iii) a autorregulação.
A competência social é a capacidade de estabelecer relações interpessoais e empatia*, ou seja, lermos as emoções dos outros, uma aptidão inata*, condutora do comportamento pró-social, enquanto a competência emocional refere-se à capacidade de identificar, nomear as próprias emoções e ser capaz de "ler" as emoções dos outros, tendo a capacidade de se pôr no lugar deles e compreender o que sentem. A autorregulação é a capacidade de modificar a expressão das emoções e adequá-las aos contextos que estão inseridos.
O desenvolvimento social está sobretudo relacionado com a capacidade de interagir com outros de forma adequada, de modo a criar amizades, saber comunicar, saber negociar, resolver problemas e partilhar (Patrício, s.d.).
Neste sentido, achámos pertinente desenvolver diversos temáticas, tais como: (i) o vínculo; (ii) o domínio das emoções; (iii) segurança emocional e sentimento de controlo; (iv) amor e autoestima.
Promover estas temáticas de forma integrada, em contexto pedagógico, ajuda a formar crianças mais seguras, emocionalmente maturas, com a finalidade de prepará-las para os desafios da vida.
A importância de explorar estas temáticas é central para o desenvolvimento saudável da criança, pois cada uma desempenha um papel crucial em diferentes aspetos do seu crescimento cognitivo, social e emocional.

O vínculo, especialmente com cuidadores, é a base para o desenvolvimento de relações seguras e estáveis. Este promove confiança, segurança e um ambiente onde a criança se sente amada e valorizada.

Aprender a identificar, compreender e autorregular as emoções ajuda a criança a lidar com desafios, a expressar sentimentos de forma saudável e desenvolver empatia e resiliência.

Um ambiente emocionalmente seguro proporciona à criança a confiança necessária para explorar o mundo, aprender e crescer, sabendo que pode sempre contar com o auxílio do adulto. Sentir que tem algum controlo sobre o ambiente e as suas escolhas promove autonomia, reduzindo a sensação de impotência e frustração.

Sentir-se amada e valorizada fortalece a autoestima da criança, ajudando-a a desenvolver uma visão positiva de si mesma e a enfrentar o mundo com confiança.
